“MAD MEN”, a série do ano

 

“Mad Men” segue as vidas dos homens e mulheres que trabalham, em plena Nova Iorque, numa competitiva agência de publicidade.
Don Draper (Jon Hamm), a personagem principal, é o bem sucedido director criativo da Sterling Cooper. Casado com Betty (January Jones), pai de dois filhos, Draper é a figura do anti-herói, um homem discreto e atormentado por um passado problemático que  rocura ocultar de toda a gente e a todo o custo.
A série mostra-nos um mundo, afinal, não tão diferente do nosso, onde tudo é uma criação de marketing, como bem o exprime Don numa das suas falas: «O que chamas amor foi inventado por tipos como eu para vender nylons.»

Com três Globos de Ouro consecutivos para melhor série dramática, entre muitos outros prémios, já com a terceira época chegada ao fim nos Estados Unidos, Mad Men parece ter convencido a quase generalidade dos críticos, mesmo aqueles que inicialmente se mostravam mais cépticos.
O desempenho do elenco (na sua maioria quase desconhecido até então) tem igualmente sido aclamado, com Jon Hamm a atingir o estatuto de galã. A madmenmania chegou a um ponto tal que no site do canal que lançou a série, a AMC, é possível encontrar de tudo: desde aplicações para o iPhone (com vídeos, entrevistas e conteúdos exclusivos) a um dossier exclusivamente dedicado ao guarda-roupa da série. Através deste site podemos ainda criar um avatar: Mad Men yourself!.

Uma série de época

Não há «heróis» e «vilãos» em Mad Men. Todas as personagens, por mais bem-intencionadas que sejam, têm as suas falhas. Muita da complexidade das personagens da série joga-se não no que dizem, mas nos silêncios que alimentam. Numa sessão de Betty com o seu psiquiatra, por exemplo, esta explica-lhe que sempre lhe disseram ser má educação falar de si própria. E a verdade é que as  personagens não falam muito de si ou dos seus sentimentos ― estes são percebidos num olhar ou num gesto, adivinhados naquilo que fica por dizer, o que confere uma certa aura melancólica à série.
Nenhum aspecto foi descurado para tornar Mad Men o mais realista possível em relação à época em que tem lugar. Não é apenas o guarda-roupa que está em causa. Do argumento, ao trabalho de actores, à fotografia que recria a linguagem visual da altura, ao geral da série, tudo aqui é superlativo e concorre para recriar, ao pormenor, a sociedade norte-americana de há cinquenta anos.
Neste período de tempo muita coisa mudou e Mad Men relembra-nos isso constantemente. O papel da mulher na sociedade de então consistia basicamente em casar, ter filhos e ir ignorando as constantes infidelidades do marido. As raparigas ainda solteiras que vemos trabalhar nos escritórios da Sterling Cooper têm de sujeitar-se a ser vistas como potenciais presas fáceis e as cenas de assédio sexual são recorrentes.

Mesmo Peggy (Elisabeth Moss), cujas ambições vão para além das restantes secretárias, luta com estes fantasmas, nos outros e em si própria. As personagens de Mad Men são machistas, homofóbicas, anti-semitas, racistas, apologistas da violência física sobre as crianças como forma de disciplina. É este o principal motivo pelo qual se torna tão difícil simpatizarmos com elas num primeiro momento. À medida que a série se desenrola, porém, vamos conseguindo identificar os traços profundamente humanos destas personagens cínicas e trágicas.

As tensões que se vão desenvolvendo ao longo da narrativa dão-nos alguns indícios das enormes transformações sociais que viriam a ocorrer a partir dos anos 60.

(A 3ª temporada de Mad Men está a passar na Fox Next).


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