A série da semana: ‘Pan Am’
A série da semana para a tvPRIME é ‘Pan Am‘. Não sendo a série do ano, até porque conforme poderemos ver mais à frente tem bastantes pontos a rever, tem o mérito de apresentar às gerações mais novas o que terão sido – parcialmente – os anos 60.
Criada para a ABC, a série pretende apostar numa década que tem feito enorme furor na AMC através da série ‘Mad Men‘. Curiosamente – ou não – a NBC também apostou na mesma década com ‘The Playboy Club‘, mas com resultados absolutamente desastrosos (chegando ao cancelamento ao fim de 3 episódios).
Ao contrário da série da NBC, este ’Pan Am‘ tem apresentado resultados bastante satisfatórios, no que às audiências diz respeito. Com 13 episódios programados para esta temporada de arranque, a série atingiu os 11 milhões de espectadores na estreia, passando para os 7 na segunda semana. A queda foi significativa, mas não a coloca em risco de cancelamento.
Enquadramento histórico
A série aterra nos anos 60. Particularmente num período da história da mulher americana, em que esta luta pela sua emancipação definitiva. No universo dos transportes aéreos, as companhias começam a apostar no lugar de hospedeira como uma forma de reprimir o medo e impaciência junto de alguns passageiros. São réplicas de enfermeiras, estas novas tripulantes de aeronaves, sempre muito calmas e prontas a ajudar de forma simpática e afável.
E para conseguir um recrutamento satisfatório as companhias aéreas iniciaram uma campanha de glamour, emprestando ao cargo um enorme peso institucional mas também de distinção: mulheres deslumbrantes prontas para voar por todo o mundo.
De facto as mulheres da Pan Am, bem como da United Airlines e outros gigantes do ar, conseguiam colocar as suas beldades nas capas das maiores revistas do mundo. Logo no primeiro episódio vemos a protagonista da série a ser capa da revista TIME. Tudo isto surgia através de um apertado processo de selecção e de um posterior rigoroso acompanhamento de peso e conduta, muita à imagem das Miss America.
Brincando com o fogo
É no contexto histórico anteriormente relatado que as nossas protagonistas surgem. A plot centra-se num núcleo de três hospedeiras e um comandante. Laura (Margot Robbie) é uma belíssima jovem que tinha a sua vida de sonho à sua espera. No dia do seu casamento realiza que não é isso que quer da vida e foge, com o apoio da sua irmã Kate (Kelli Garner). Kate acaba por ajudar a irmã a ingressar no mundo da Pan Am, onde entra com o pé direito, depois de ser capa da revista TIME de forma quase inadvertida.
Por outro lado surge a intempestiva Maggie (Christina Ricci). Depois de ter sido afastada do lugar por desrespeitar o código de conduta da companhia, acaba por ser chamada de volta, para cobrir uma emergência, na inesperada falta de uma colega: Bridget (Annabelle Wallis). Envolvida emocionalmente com o recém-nomeado comandante Dean Lowrey (Mike Vogel), ela está profundamente envolvida em actos de espionagem que a obrigam – sem que ainda se tenha percebido porquê – a afastar-se de tudo e todos.
No episódio piloto percebemos que o seu lugar se prepara para ser ocupado pela recém-recrutada Kate, enquanto Dean se vai apercebendo que a bela Bridget não rompeu apenas com a Pan Am… mas também rompeu consigo.
Veredicto (inicial)
A série ‘Pan Am‘ é uma aposta certeira. Teve um casting muito bem conduzido, apresentando os actores certos para estas personagens. Sob o ponto de vista visual, é um deleite respirar a atmosfera dos anos 60, com a inocência das possibilidades infindáveis corrompidas pela ameaça da guerra fria. Às bonecas da Pan Am é dada uma maior relevância histórica mas também uma maior profundidade enquanto pessoas, demonstrando que por detrás de toda a beleza não estava apenas uma cabeça oca.
Criada por Jack Orman a série apenas parece falhar no ritmo com que conta a história. Fá-lo de forma muito acelerada, parecendo não querer perder espectador algum desde o primeiro momento. Em comparação com ‘Mad Men‘ (é inevitável), as personagens não estão a ser bem “exprimidas”, com o tempo suficiente. Valia a pena ter mais tempo para cada uma delas, mesmo que isso implicasse demorar mais alguns episódios para se chegar ao mesmo fim. Com isto, seguramente que todos gahavam: os actores, os diálogos e o público mais exigente.
Mas a verdade é que a série está na ABC, em canal aberto, onde abaixo dos 8 milhões de telespectadores é fraco e abaixo dos 5 milhões é devastador. Se a mesma série estivesse numa AMC ou HBO, ganharia muita folga e poderia mesmo ser uma série de culto (e EMMY)… é que por essas bandas, no cabo, 3 milhões de espectadores é uma audiência fantástica.










4 Comentário
sensacional não vou perder nenhum episodio ,isto porque pretendo ser comissaria de voo futuramente ,obrigado ao realizador que pensou nas mulheres do ar ….
ESTOU ASSISTINDO E ESTOU ADORANDO, SOU CMS
Presentemente é a única série de TV que estou a seguir em Portugal e que tento não perder nenhum episódio.
A série está bem produzida no que respeita a decors / cenografia e rigor dos “props” tipicos da época. O acting é bom mas a narração deixa muito a desejar com uma técnica de montagem e revelação da história muito deficiente e por vezes mesmo decepcionante.